quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bolívia - La Paz e Santa Cruz de La Sierra

Santa Cruz de La Sierra
Nossa aventura pela Bolívia e Peru durou 15 dias. Começamos a viagem pela Bolívia. Saímos de Brasília, avião até Mato Grosso do Sul, e de lá, outro vôo até Santa Cruz de La Sierra.

Chegamos no aeroporto de Santa Cruz de La Sierra de madrugada. Pegamos um táxi e fomos para um “hotel” chamado Residencial 7 de Mayo na frente do Terminal Bimodal de onde sairia nosso ônibus para La Paz no fim da tarde. O hotel mais parecia um cativeiro (não aconselho nem por uma noite: cama estranha, não tinha água quente no chuveiro, não tinha café da manhã – e mesmo que tivesse eu não comeria lá). Muita gente fica no aeroporto mesmo, esperando amanhecer pra pegar um ônibus e chegar no Terminal Bimodal. Essa opção ia ser mais cansativa pra gente.

Passamos um dia inteiro em Santa Cruz. Passeamos pelo centro, visitamos a catedral, entramos em algumas lojas, mas não fizemos muita coisa nessa cidade que é considerada o motor econômico da Bolívia.

No fim do dia, pegamos o ônibus rumo a La Paz. Aventura! Uma subida infinita, já que La Paz é a capital sul-americana de maior altitude, com 3.640 m. Quando chegamos na capital boliviana, era umas 5h da manhã. Friiiiio. Descemos do ônibus e o choque cultural começou.
As cholas

A impressão é de que estamos dentro de uma panela de pressão. A cidade fica em um vale profundo rodeado por montanhas da Cordilheira dos Andes.

Todas as vezes que viajamos, tentamos nos aproximar ao máximo da cultura local, experimentando o novo e nos adequando ao modo de vida do povo que nos recebe. Pois bem, na Bolívia isso só foi possível em parte. Ficamos meio assustados com as diferenças "diferentes demais" que encontramos. À primeira vista, os locais eram pouco dispostos a dar informações ou interagir com os turistas estrangeiros. Claro que encontramos várias pessoas dispostas a ajudar e conversar e tals, mas, no geral, a impressão que ficou é que era difícil interagir com os bolivianos.
Feira livre em La Paz

A parte da comida também foi um desafio: nós que sempre estamos dispostos a experimentar tudo, que procuramos os restaurantes onde os  moradores do lugar comem para também nos aventurarmos, não tivemos coragem de comer nas barraquinhas da feira livre que aconteceu perto do nosso hotel, por exemplo. Ficamos com pé atrás principalmente por conta da visível falta de higiene. Mas, encontramos bons restaurantes para turistas onde foi possível experimentar a deliciosa culinária boliviana. Gostamos muito de uma sopa feita de batata desidratada, o chairo. Também experimentamos e aprovamos bife de alpaca e de lhama.


Feira livre onde o item mais vendido é a batata,
de todas as cores e de todos os tipos
La Paz tem muitas atrações, mas as principais estão fora da cidade. Na capital, é legal de conhecer a Plaza Murillo, onde fica o Palacio Quemado, sede do governo boliviano, além do Parlamento da Bolívia e da
O Grande Che na cidade de El Alto
Catedral Metropolitana de La Paz. Ah, e a famosa Calle de las Brujas. 

Mas, nos arredores é que estão as principais atrações: Chacaltaya, a estação de esqui mais alta do mundo; o Valle de la Luna; e o Sítio arqueológico de Tiwanaku. Imperdíveis!

Nossa viagem aconteceu em julho e apesar de ser inverno, fez um tempo lindo! Céu azul e sol o tempo todo. 

Contratamos um passeio para ir ao Chacaltaya e ao Valle de La Luna. No dia combinado, a van passou no nosso hotel para nos buscar. O que ninguém esperava era que ao iniciar a subida para deixar La Paz fossemos recebidos a pedradas por participantes de uma greve que se chamava El Paro. Depois do susto inicial, seguimos viagem passando por uma cidade que nasceu nos arredores de Lá Paz e se chama El Alto. Lá, paramos pra comprar folhas de coca para mascar e assim minimizar o mal da altitude. Nem preciso dizer que desde Santa Cruz já estávamos tomando a soroche pills. 

Rebanho de Lhamas
Na subida para o Chacaltaya, uma paisagem belíssima com lagos coloridos e rebanhos de lhamas. Muito lindo, muita natureza, a gente ali admirando aquilo tudo até que...faltando uns 500 metros pra chegar na sede da estação de esqui...a van quebrou. A guia disse que teríamos que caminhar esses 500 metros, mas que era preciso ir com cuidado por causa da altitude.
Chacaltaya e lagos coloridos

O Chacaltaya é um pico da Cordilheira dos Andes de 5.421 metros de altitude. Imagine uma pessoa subir um caminho íngreme sem a quantidade de oxigênio a que ela está acostumada normalmente? Pois bem, o pior aconteceu. Ficamos extremamente cansados e quando chegamos na base da estação de esqui ainda tínhamos mais 200 metros para subir e chegar no mirante, de onde era possível ter a melhor vista da montanha e dos seus lagos coloridos.

Encaramos o desafio, mas na metade do caminho parecia que minha cabeça ia explodir. Tive que parar para  tentar me recuperar e foi aí que conhecemos umas finlandesas muito legais que me deram uma pílula milagrosa para o mal de altitude. Eu nunca tinha visto aquelas meninas, que disseram ser enfermeiras, mas confiei e tomei. E não é que me ajudou? Fiquei melhor e conseguir subir o restante do caminho e aproveitar a vista.
Conquistando o Chacaltaya

Quando descemos para o café (onde não havia café pra vender, só chá de coca) que fica na base da estação, tivemos que esperar o conserto da nossa van para ir embora. Aproveitamos para tomar um vinho que havíamos levado e compartilhar histórias com os outros viajantes. Os mais engraçados eram uns paulistas que estavam viajando de carro pela Bolívia e tentavam descobrir como descongelar as partes do motor do carro para seguir viagem.

Dica: Vá bem agasalhado. Quando fomos não tinha muita neve, aliás quase nenhuma. Mas, fazia muuuuito frio. E ventava. Muito.

Com os atrasos por conta da van quebrada, decidimos não ir para o Valle de La Luna, pois queríamos pegar o ônibus para Copacabana ainda naquele dia.


A impressionante "Porta do Sol"


O "Monolito"
Também visitamos as impressionantes ruínas de Tiwanaku. Segundo o guia que nos levou, o local que conhecemos são o último vestígio de uma das mais duradouras civilizações da América do Sul, a precursora dos incas. É fantástico, lindo, impressionante. Vale a pena demais. Quando estivemos lá, nos perguntávamos o tempo todo porque não estudamos os tiwanaku na escola? Eu, pelo menos, achava que os incas eram os “mais mais” da América do Sul.

Vale a pena ler um pouco sobre esse povo antes de ir. É muita informação, mas tivemos a sorte de ter um guia ótimo que conseguiu nos dar um panorama geral de tudo o que visitamos. Fiz uma pesquisa para escrever esse post e achei um texto ótimo da Super Interessante que pode ajudar a conhecer um pouco mais sobre esse povo.

A viagem continua, veja abaixo os links para o restante do relato. :)



Muro com encaixes perfeitos





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*Todas as fotos são de Neblina Orrico/Ruthiere Carrijo. Peça autorização para usar. Obrigado.

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