sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pirenópolis - Goiás - Brasil ou A Primeira Viagem da Duna

Na cachoeira das Araras, a Duna feliz com sua primeira aventura
Decidimos por o pé na estrada com nossa filha linda de 3 meses! A primeira viagem da Duna foi curta, mas sensacional. Saímos de Brasília rumo a Pirenópolis (160 km de distância) às 9h do sábado, 16 de fevereiro de 2013. Apesar do que falavam, não é preciso levar tanta coisa de criança em viagens curtas. Fomos e voltamos no mesmo dia.

O mascarado abraça o turista que vai conhecer Piri

A cidade de Piri, como é conhecida entre os brasilienses, é uma cidade histórica fundada em 1727, que nasceu e se desenvolveu a partir do garimpo do ouro. Mantendo conservada e intacta sua feição original e suas tradições, Pirenópolis foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional em 1988. A cidade tem sua economia hoje baseada no artesanato e turismo, além da extração da pedra que leva seu nome. A "Pedra-de-Pirenópolis" é usada na construção civil para revestimentos e pisos e decora ruas e casas da cidade. (Informações do site da cidade: http://www.pirenopolis.com.br)

Nossas dicas:
Cachoeira das Araras
Travessia do Rio Dois Irmãos
- Pirenópolis tem dezenas de cachoeiras. Algumas com acesso mais fácil, dentro da cidade, outras mais distantes. Dessa vez, visitamos a Cachoeira das Araras, muuuuito boa, principalmente para quem vai com criança ou tem alguma dificuldade para longos percursos, pois do estacionamento até a cachoeira propriamente dita, a caminhada é de apenas 250 m. Além de linda, tem infraestrutura, como pequenas barraquinhas de madeira para ter sombra bem na beira da cachoeira e um bar com cerveja - R$ 4!!!! e se levar isopor grande, vão cobrar R$ 15 pelo isopor, então é melhor levar um grande pra ficar no carro e ir reabastecendo um isopor pequeno - também tem churrasquinho - essa infraestrutura não compromete a beleza do lugar. A cachoeira é bem conservada, limpa e o poço tem 6m de profundidade. Vale a pena conhecer. Situada a 18 km do Centro de Pirenópolis, está localizada no Rio Dois Irmãos. Possui um poço com 90 metros quadrados, e queda de 7 metros de altura. O acesso é feito pela GO 338, saída para Goianésia com 15 km de asfalto - em alguns trechos tem buracos, em seguida entrar a direita e a seguir mais 3 km de estrada de terra. A trilha é de fácil acesso.

- Restaurantes: almoçamos no Pequi de Piri que está situado bem no centro, olhando para a Igreja Matriz de frente o restaurante fica uns 30 metros em uma rua à direita. Decidimos experimentar a galinha caipira com pequi, servida com arroz de alho e salada simples - estava gostoso, mas o pequi tinha um leve sabor de vinagre, acho que foi feito de conserva, só não entendi o porquê de se fazer pequi em conserva na época do pequi. Agora, a trilha sonora do restaurante foi perfeita: começou com "at last" da Etta James e terminou com um som bossa nova sensacional. Custou R$ 45 para duas pessoas, mas serve 3.  A cidade oferece diversas opções para um delicioso almoço: tem comida mineira, goiana e até alta gastronomia. 

Janela do restaurante Pequi de Piri

- A cidade: como não tínhamos muito tempo, fomos à Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário dar uma volta depois do almoço e depois na Praça do Coreto. A vista que se tem da frente da Igreja dos morros que circundam Piri é fantástica - uma mistura de muito verde ao fundo com lindas casas coloniais no primeiro plano.
Igreja Matriz reconstruída em 2005 depois do incêndio de 2002

Rua onde se localiza o restaurante Pequi de Piri 

Quando ir: o ano todo. Piri é sensacional tanto no inverno quanto no verão, mas entre novembro e março chove mais e passear com chuva nem sempre é divertido.
O que fazer: consulte o site oficial da cidade, lá você pode encontrar detalhes sobre as cachoeiras, os festivais de gastronomia, jazz, além das datas escolhidas para as cavalhadas, festas religiosas etc. http://www.pirenopolis.com.br/index.jsp

*Todas as fotos são de Neblina Orrico/Ruthiere Carrijo. Peça autorização para usar. Obrigado.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tour Europa 2011 - Espanha - Barcelona

Parque Güell: El Drac, de Antoni Gaudí
Fizemos um tour pela Europa em julho de 2011 estilo mochilão. Foi uma maratona: visitamos Barcelona, Paris e Roma em 15 dias. Voamos de Brasília para Lisboa e depois uma conexão até a Catalunha. Primeira parada: a Barcelona de Gaudí, Miró e tantos prazeres!

Mercado la Boquería
A Catalunha e, especialmente, Barcelona é sensacional! Fomos super bem recebidos e aproveitamos ao máximo nossa estadia. Nós gostamos muito de conhecer a pé as cidades que visitamos. Andando, pegando ônibus ou metrô, conhecendo os lugares que os  turistas e, principalmente, que os locais gostam de frequentar.

Ficamos cinco dias na cidade, mas eu acho que vale a pena ficar mais tempo. Muito o que ver, fazer, sentir, provar...sobretudo no verão! Mas, o que ver e fazer em Barcelona? As opções são muitas. Vou contar aqui detalhes das que mais gostamos.

As Ramblas

As Ramblas são feitas para você andar, se perder com calma, parando aqui e ali para tirar uma foto. Clichê? É, mas um clichê que é a mais pura verdade. Imagine um grande calçadão atravessando uma das ruas da cidade com muita gente circulando, restaurantes, lojas e muita movimentação. As Ramblas são arborizadas e têm um clima muito agradável. Lá, é possível encontrar restaurantes, floriculturas, lanchonetes e lojas de souvernirs. Vale a pena dar uma caminhada, comprar um chopp ou uma sangria e continuar andando até o monumento a Colón (Cristovão Colombo) no fim da Rambla, em frente ao mar e perto do Port Vell.

No meio das Ramblas está o Mercado la Boquería. Tipo um Mercadão de São Paulo, o La Boquería é uma explosão de cores e sabores. Além das bancas transbordantes de frutas, queijos, jamón, delícias de todas as partes, o mercado também tem restaurantes se você quiser fazer uma refeição completa.

Cava, a bebida típica
Muitas cavas no Can Paixano, La Xampanyeria
Nosso gentil garçom
Uma outra super dica, se você gosta de beber e comer bem, é visitar o Can Paixano, La Xampanyeria. Foi eleito o nosso bar preferido no mundo todo. Tudo o que um bar precisa tem ali: aspecto de boteco pé sujo, bebida delícia, comida gostosa e sem frescura, muita gente, barulho, loucuras e garçons rústicos mal humorados. Sen-sa-ci-o-nal! Vá sem preconceito. Você vai sentir que tudo isso vale a pena quando conseguir um cantinho prá ficar em pé e apoiar seu pratinho de queijo ou linguicinha, sua tacinha de Cava Rosé ou Brut produzida ali mesmo e devorar um sanduiche grandão, por um preço justo. Oh, saudade!

A Sagrada Família, a mais linda igreja que já visitei

Fachada da Sagrada Família
Sagrada Família 

Sabe aquelas coisas que te impressionam pela grandeza? Assim é a Sagrada Família. Quando marcamos nossa viagem para Barcelona, meu marido disse que ia me levar a um lugar sensacional. E realmente me
levou. O Templo Expiatório da Sagrada Família é uma das obras primas do arquiteto catalão Antoni Gaudí, expoente da arquitetura modernista catalã. Impressiona mais porque não é uma igreja tradicional. É cheia de elementos que remetem à natureza. O projeto foi iniciado em 1822, e, pasmem (!), ainda está em construção.
Interior da igreja










Parque Güell

No dia que fomos ao Parque Güell estava quente, muito quente. Acho que uns 40ºC. Andamos tanto! O Parque Güell é enorme e lindo! Foi construído inicialmente para ser um condomínio. Encomenda do empresário Eusebi Güell, o Parque foi desenhado também por Gaudí, entre os anos de 1900 e 1914. Virou parque público em 1926. O famoso lagarto (El Drac) de Gaudí fica bem na entrada, junto com duas casas lindas, super decoradas, que são chamadas de “os pavilhões da entrada”.

Também visitamos o Parque Montjüic, onde fica o Castelo de Montjüic e a Fundació Joan Miró. Passeio imperdível! A Fundação Joan Miró é muito interessante. Fica num prédio super bonito e tem um acervo grande com as obras de Miró. Vale a pena para conhecer um pouco mais da vida e da obra desse importante artista.




Escultura de Joan Miró: Mulher e Pássaro (Dona i Ocell)

Palácio de Montjüic
Para chegar ao Castelo de Montjüic, você sobe de teleférico e lá em cima tem um forte e uma vista de toda a cidade, 360 graus!




Palau de la musica catalana
Inesquecível, o Palau de la Música Catalana (Palácio da Música Catalã) foi construído entre 1905 e 1908. O projeto é do arquiteto barcelonês Lluís Domènech i Montaner, um dos máximos representantes do modernismo catalão. Para financiar a obra, um coral fundado em 1891 fez uma “vaquinha” junto com industriais, músicos e admiradores das artes catalãs. Por fora, o Palácio fica meio apertado entre edifícios, mas mesmo assim é lindo. Já seu interior é lindíssimo! Vale a pena fazer a visita guiada. Nossa guia foi super simpática, didática e paciente, falando um espanhol claro super compreensível. Já se apresentaram nesse teatro grandes nomes da música mundial, inclusive brasileiros.  

Barcelona: mais que futebol

Camp Nou ou Campo Novo, em bom português
Meu marido é fã de futebol e não podíamos deixar de visitar o Estádio do Barcelona. Pense num lugar organizado, preparado para receber centenas de turistas, todos os dias, sem nenhuma problema? Pois bem, lindo, com uma super estrutura e com uma loja gigante de produtos do Barcelona. Inclusive, é possível escolher qual camiseta do time você quer levar pra casa, gravando o nome do jogador na hora. Vale a pena visitar!

O lema do Barça é "bem mais que um clube", e isso é verdade quando analisamos a história política por trás da fundação e crescimento do Barcelona. No museu, onde é possível conhecer um pouco dos 113 anos de história do clube, dá pra entender como se deu a luta do Barcelona (e do povo catalão) para não ser engolido pelo processo de homogeneização cultural imposto pelo ditador Francisco Franco.

Bairro Gótico
Muros medievais com restos de um aqueduto romano, à esquerda
O Bairro Gótico de Barcelona é incrível. Entramos por um portão no muro medieval que tem os restos de um aqueduto construído pelos romanos. Pelo caminho, íamos ouvindo música indiana, medieval, espanhola, os mais variados ritmos são apresentados por músicos de rua na parte mais antiga da cidade. A sensação de passear por lá é a de estar em um labirinto arquitetônico da Idade Média com trilha sonora. Você não vai ver lojas iguais às de shopping, cada lojinha ali tem uma identidade especial. Ficamos impressionados com um museu subterrâneo que guarda ruínas dos períodos romano e medieval. Vale a pena visitar. Nessa parte da cidade, também está o Museu Picasso, dentro de uma construção medieval. Nós visitamos rapidamente, mas creio que vale a pena ir com mais calma para admirar as obras desse grande artista.


Ruínas Romanas

Uma das atrações mais surpreendentes que visitamos foi o Museu de História da Cidade de Barcelona (MUHBA). Escondido nas ruas do Bairro Gótico, o MUHBA guarda um dos maiores segredos da cidade: as ruínas romanas que originaram Barcelona!

Interior de uma casa romana, na época de Barcino
Chamada de Barcino, a antiga Barcelona dos tempos romanos foi achada, sem querer, durante escavações em 1920. Uma área super extensa com casas, templos, estátuas e utensílios ultra conservados foi encontrada no subsolo da cidade, e é lá que podemos ver tudo isso. O museu tem uma área grande no subsolo, mostrando as escavações de poços e antigas casas romanas. O museu fica meio escondido, com uma entrada pela Praça Del Rei, pertinho da Catedral de Barcelona, no bairro Gótico.



Dicas:


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*Todas as fotos são de Neblina Orrico/Ruthiere Carrijo. Peça autorização para usar. Obrigado.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Peru - Como ser feliz em Machu Picchu (parteIII)


Nascer do sol em Machu Picchu
Acordamos às 4h da manhã para conseguir a senha que nos
 permitiu subir o Waynapicchu
Conhecer Machu Picchu era um sonho de adolescência. Esse sonho foi realizado em julho de 2010 quando pegamos nossas mochilas, saímos de Brasília, de avião, chegamos em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e de lá, até a cidade sagrada dos Incas, de ônibus e trem, mochilando e vivendo várias aventuras.


Se você estiver indo direto para Cuzco, o melhor é se preparar para enfrentar o mal da altitude. No aeroporto de Lima, já procure uma farmácia para comprar a soroche pills que ajuda a evitar o mal de altitude...comece a tomar em Lima mesmo....outra coisa, tome chá de coca que também ajuda a minimizar o mal de altitude.

No dia marcado para sairmos de Cuzco para o vale sagrado dos Incas e depois Machu Picchu aconteceu uma greve geral e só saímos depois do almoço. A apreensão de não chegarmos a tempo em Ollantaytambo para pegar o trem que nos levaria a Aguas Calientes (onde dormimos) e em Machu Pichu no dia seguinte foi grande.

Ollanta é super pequena, linda e vale a pena. Fomos de carro até lá para pegar o trem para Machu Picchu. Tem um boteco chamado Quechua Blues Bar numa ruela sem asfalto onde comemos o melhor sanduíche da viagem.

Mas, no final, deu tudo certo. Pegamos o trem e dormimos em Aguas Calientes, de onde saímos às 4h da manhã para pegar o ônibus que faz a subida cheia de zigue zague...quando entramos na cidade sagrada eu comecei a chorar, por não acreditar estar realizando esse sonho! Fantástico! Corremos para a fila que distribuia as senhas para subir o Waynapicchu...se não me engano são apenas 400 pessoas por dia. Conseguimos a nossa e aí a ficha caiu...estávamos em Machu Picchu!


Depois de algumas horas subindo a escada inca, chegamos ao topo do Wayna: 2634 metros

No topo, vemos Machu Picchu lá embaixo, forma de pássaro
Casa na cidade sagrada

Llama, um parente distante
Templo do sol

Quando você decidir conhecer Machu Picchu, o ideal é fechar o mais rápido possível o pacote para a cidade sagrada, pois as passagens de trem podem acabar. O melhor é sair de Cuzco rumo ao vale sagrado cedo, aproveitar os sítios arqueológicos durante o dia, pegar o trem à noitinha para chegar em Aguas Calientes, dormir lá e no outro dia pegar o onibus que te leva pra Machu Picchu cedo, tipo 4h ou 5h da manhã pra ver o sol nascer lá em cima.

A energia, as vibrações da cidade ainda vazia ao amanhecer são incomparáveis! Vale a pena ir cedo! Tivemos a sorte de pegar um típico dia de julho em Machu Picchu: sol, céu azul e um friozinho agradável.

Depois de fazer o passeio guiado, conhecer os vários templos e entender um pouco mais sobre como as pessoas viveram na cidade sagrada, subimos o Wayna Picchu com a sua escadaria infinita. Isso era umas 10h da manhã. A gente lá, sem ar, subindo na maior dificuldade e, de repente, passa um garoto quase correndo: "Meu Deus, de onde você é?", perguntamos. E ele: "sou peruano, claro!" e continuou a subir a escadaria rapidamente.

O legal é que muita gente que já tá no caminho contrário, na descida, vai te incentivando no caminho. "Falta pouco", é o que a gente mais ouvia. Quando chegamos lá em cima, ficamos sem ar. Porque lá tem pouco oxigênio, mas também porque a paisagem é magnífica: a cidade sagrada lá do alto tem formato de pássaro. Lindo demais!

Depois de um tempo admirando tudo lá de cima, descemos e ficamos passeando pela cidade, sentando dentro de lugares que outrora foi a casa de incas no auge do seu império.

Quando deu umas 16h, decidimos voltar para Aguas Calientes, pois o trem sairia às 18h30 da estação. Tivemos a fantástica ideia de descer toda a escadaria inca que leva até o rio Orubamba, a pé, sem pegar o confortável ônibus que havia nos levado até lá em cima. O caminho é bem íngreme e sinuoso, com uma escada infinita. Imagina os joelhos de quem desce uns 50 andares de escada? Assim, estavam os nossos! Depois de uma hora de descida constante ainda tivemos que caminhar uns 2 km pela estrada de terra até a estação de trem...a paisagem linda, o rio sinuoso nos acompanhando o tempo todo, mas se já estávamos mortos de ter subido a escadaria do Waynapichhu, ficamos destruídos no caminho de volta até Aguas Calientes.

Quer um conselho? Suba e desça de ônibus. A paisagem é linda, mas não vale a pena destruir os joelhos na escadaria sem fim... :)

Na estação, pegamos o trem direto para Cuzco que sai no fim da tarde. O bom é que você passa o dia em Machu Picchu e ainda aproveita a noite em Cuzco. Levamos um vinho pra tomar dentro do trem...e lanches pra comer em Machu Picchu durante o dia. Conhecemos um pessoal no trem e a conversa foi tanta que nem vimos o tempo passar.

Cuzco é o nosso caso de amor com uma cidade...muita coisa pra ver...o muro inca, museus, igrejas construídas sobre bases dos incas...a Plaza de Armas...além da comida boa, do pisco sour e do vinho peruano que tbm é delícia! Vai render um post a parte.

Empresa de trem: Peru Rail (http://www.perurail.com)
Se você quiser ler mais relatos sobre Machu Picchu, indico o site dos Mochileiros 
Um pouquinho de história: Machu Picchu, ou "velha montanha" na língua Quechua também é chamada de "cidade perdida dos Incas". Localizada no topo de uma montanha, a 2.400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, a cidade sagrada dos Incas foi construída no século XV, sob as ordens do Inka Pachacutek. A "descoberta" tardia de Machu Picchu, em 1911, fez com que a cidade permanecesse preservada. Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, e a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque.” (Com informações do Wikipedia).

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Bolívia - Copacabana e Lago Titicaca

Nosotros no Lago Titicaca
Conta a lenda que Viracocha criou o céu e a terra. Foi ele quem enviou Manco Capac e Mama Ocllo para a Isla del Sol, no Lago Titicaca. E nas águas do Titicaca nasceu a civilização inca.

Além de ser o lago navegável mais alto do mundo, o Titicaca representa a origem dos povos andinos. Para 'nosotros' é um dos lugares mais mágicos da terra.

Depois de uma viagem psicodélica de La Paz até Copacabana, chegamos na famosa cidade boliviana. Não tínhamos reservado hostel, então saímos à procura. E foi aí que aconteceu um dos momentos mais mágicos da viagem: faltou luz. E foi lindo. Imagine como é o céu num lugar que fica numa altitude de 3.841 metros acima do mar e que não tem luz nenhuma pra atrapalhar, nem lá nem ao redor? É maravilhoso! Ficamos um tempão admirando o céu, as estrelas, o infinito naquele lugar que é tão místico.

Linda paisagem na Isla del Sol
Adicionar legenda
Depois do momento mágico, partimos para o momento prático: em busca de um hostel. Ficamos num ótimo, o Hotel Utama (Calle Michael Perez 60, 3153 Copacabana). Os quartos eram grandes, limpos e tinha água quente no chuveiro. O café da manhã também era muito bom.  A cidade é bem bonitinha, com restaurantes muito bons. E tudo a um preço muito acessível. Além dos passeios de barco, é possível visitar a Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, toda branca, imponente e mística.




O passeio que nós compramos para conhecer o Lago Titicaca e a Isla del Sol sai do porto na beira do lago. Nosso barco saiu bem cedinho e nos deixou no lado norte da ilha e fomos andando até o lado sul. A trilha não é muito difícil, mas é preciso ter um pouco de preparo por causa da altitude. A paisagem é tão linda o tempo todo que ameniza a falta de oxigênio.

Nós demoramos umas 6 horas pra chegar do outro lado da ilha. Levamos água, mas chegamos morrendo de fome e não tinha muita opção nas barraquinhas que ficam montadas perto do cais do porto. Comemos salchipapas (salsicha mais batata frita) com uma cerveja "que não estava gelada, mas que ficou na sombra o dia todo", nos explicou o vendedor. O cansaço e a fome eram tantas que pareceu um banquete pra gente.

Pegamos o barco pra voltar pra Copacabana com uma certeza: um dia a gente volta pra visitar o Titicaca e a  Isla del Sol. Dormir por lá, aproveitar mais esse lugar tão incrível.

Deixando a Isla del Sol pra trás
Quando chegamos no vilarejo, já estava quase na hora do por do sol e a gente ficou tomando umas cervejas na beira do lago, admirando aquela imponência toda e esperando pelo sol se por. Lindo! Ficamos bebinhos e voltamos para o hotel pra descansar um pouco. 

Saímos de novo umas 22h pra jantar e nos deparamos com uma festa popular muito bacana pra comemorar os 400 anos de La Paz. Era tipo uma procissão cívica. Jantamos uma deliciosa "trucha" e começamos a seguir a multidão. Paramos junto de um pessoal que estava tocando violão ao redor de uma fogueira e ficamos ali. 

De repente, um copo com uma bebida alcoólica desconhecida começa a ser passada de mão em mão e todos tomando. Na minha vez, eu tomei também! E aí a festa começou de verdade. Ficamos loucos com aquela cachaça dos Andes e depois de muito conversar, cantar e nos divertir voltamos para o hotel, para o sono dos justos.


No dia seguinte, pegamos nosso ônibus para PUNO, nossa primeira parada no Peru. Do lado peruano do Titicaca, visitamos as ilhas flutuantes dos Uros, mas esse será um relato a parte. Continue acompanhando nossas aventuras e desventuras! :)


Por do sol no Titicaca, o lago

Procissão Cívica pelos 400 anos de La Paz


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Cuzco, umbigo do mundo - Peru (parte II)

Plaza de Armas à noite



Pedra dos 12 ângulos, na Calle Hatum Rumiyocque, 
que aparece no filme 'Diários de Motocicleta'

Cuzco é uma cidade apaixonante. Chamada pelos incas de 'o umbigo do mundo', Cuzco foi o centro político, administrativo e cultural do Império Inca. Nosotros tivemos cinco dias para desfrutar das maravilhas que os incas construíram e esse lugar continua na nossa lista, pois pretendemos voltar. Estivemos no Peru/Bolívia em julho de 2010 e durante 15 dias mochilamos por esses dois países encantadores.



Fonte da Plaza de Armas

Dica: Se você estiver indo direto para Cuzco, o melhor é se preparar para enfrentar o mal da altitude. Se chegar pelo aeroporto de Lima, já procure uma farmácia para comprar a soroche pills que ajuda a evitar o mal estar...comece a tomar em Lima mesmo....outra coisa, tome chá de coca que também ajuda a minimizar o efeito da altitude.

Dica II: Experimente o sorvete de algarrobina e o risoto de quinoa, são deliciosos!

O que fazer em Cuzco? Andar, andar e andar! :)

Para conhecer os sítios arqueológicos e museus de Cuzco, é preciso comprar um boleto turístico da cidade. Ele vale durante 10 dias, a partir da data de expedição e permite a entrada em 16 atrações turísticas na cidade de Cusco e nos arredores, na região conhecida como Vale Sagrado. Nós compramos e podemos dizer que vale a pena! A seguir, um breve relato dos lugares que conhecemos em Cuzco.


Plaza de Armas fotografada do alto de Saqsaihuaman


  • Plaza de Armas: o lugar mais democrático da cidade. A bela praça cusquenha é toda rodeada de construções coloniais, com os famosos balcões, que são "varandas" de madeira, onde as mulheres "se escondiam" para observar o movimento da rua na época da "colonização" espanhola. Em torno da praça e nas ruas vizinhas estão os principais restaurantes, agências de viagens, lojas, o escritório oficial de turismo, casas de câmbio, barzinhos e cafés; é o centro do agito. Leve seu vinho ou cerveja e destine algumas horas para apreciar a paisagem nessa linda praça à noite ou de dia.

    Saqsayhuaman, fortaleza nos arredores de Cuzco
  • Saqsaihuaman: os guias turísticos dizem que essa espécie de fortaleza foi construída originalmente com propósitos militares. A fortaleza, no alto das colinas que cercam Cuzco, era estratégica para combater invasores que ameaçavam o Império Inca. Apenas 20% do conjunto arqueológico pode ser visitado atualmente, pois os espanhóis destruíram grande parte de seus muros para construir casas e igrejas em Cuzco. Para chegar lá, existe um passeio de ônibus que te leva em vários pontos turísticos, incluindo Saqsaihuaman e o Qoricancha.


Qoricancha, o cercado dourado

  • Igreja de Santo Domingo e Qoricancha: a igreja e o convento de Santo Domingo foram construídos no local onde se situava o mais espetacular templo inca, o Qoricancha, dedicado ao culto do deus-sol. A visita é particularmente interessante, pois permite observar várias paredes originais incas, que foram aproveitadas na obra. De acordo com nosso guia, apenas a base da igreja, construída sobre o templo inca, resistiu a um terremoto que destruiu várias construções em Cuzco. Q'orikancha significa 'cercado dourado'. Ganhou esse nome por conta da grande quantidade de ouro que existia nesse templo: reza a lenda que as paredes eram revestidas de ouro e pedras preciosas; o jardim tinha estátuas de ouro e prata em tamanho natural de animais, árvores locais e pés de milho. Corpos mumificados de incas nobres eram mantidos ali para cerimônias. Os tesouros do templo foram tomados logo após a chegada dos invasores espanhóis. Segundo a história, os espanhóis ficaram "loucos" com a quantidade de ouro que existia nesse templo, o que fez com que ele fosse totalmente saqueado e destruído para ali depois ser construída a igreja e o convento. É um lugar sensacional, vale a pena visitar.




Meninas com a roupa típica das cuzquenhas e os carneirinhos



  • Museo de Arte Religioso: funciona no palácio do arcebispo de Cusco, foi construído aproveitando as paredes do palácio do Inca Roca, que fazia parte do antigo conjunto monumental incaico no centro da cidade de Cusco. Seu acervo é composto pelo melhor da arte religiosa cusquenha: móveis e peças religiosas espalhadas pelas salas bem decoradas do palácio. Nós gostamos, mas é um exemplo da imposição cultural que os indígenas sofreram por parte dos espanhóis.



Museu Inka



  • Museo Inka: é conhecido também como Museu da Casa del Almirante, pois está instalado num casarão colonial do século XVII que pertenceu ao almirante Francisco Alderete Maldonado. Confesso que não gostei tanto quanto os museus no sítio arqueológico de Tihuanaco, na Bolívia.


Igreja de San Blás, com muitas obras de arte 



  • Museo de Arte Precolombino: funciona no palacete colonial de Alonso Díaz, erguido sobre uma construção inca. O museu apresenta peças de arte e objetos, não apenas da cultura incaica da região de Cusco, mas de diversas culturas pré-colombianas, com salas temáticas sobre as civilizações Nazca, Huari, Moche, Chancay e Chimú.Plaza de las Nazarenas, Cusco, Peru.



  • Plaza San Blás: fica no alto de uma ladeira, a Cuesta de San Blás, que desemboca numa pracinha bem charmosa. Construída no século XVI, é a mais antiga igreja de Cusco, erguida onde anteriormente existia um templo inca dedicado a Illapa, o deus do trovão. Seu fabuloso púlpito foi esculpido em cedro por artistas nativos.



Provando a comida do mercado

  • Mercado de Cuzco: é um mercado interessante, mas não muito frequentado por turistas. Roupas, frutas, verduras e comida pronta você pode encontrar lá. Almoçamos num restaurante frequentado apenas por peruanos e foi ótimo. A comida era deliciosa, apesar do desconforto para sentar numa espécie de arquibancada que eles montam para as pessoas apoiarem os pratos e se sentarem.


Mercado de Cuzco, diferentes espécies de milho





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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Peru - e o sonho vira realidade (parte I)

Gracias, Pachacutek!
Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade

(Raul Seixas)










Desde a adolescência sonho com viagens inesquecíveis, aventuras incríveis, novos amigos, línguas diferentes, comidas exóticas.

Um dia conheci um menino lindo e começamos a compartilhar toda essa gana de viver a vida. Juntos, rimos, choramos, vibramos, bebemos, comemoramos e aprendemos.

E, juntos, mais uma vez, pudemos viver essa deliciosa aventura de conhecer dois países, Bolívia e Peru, e claro, a fantástica e lendária Machu Picchu, em julho de 2009.

O planejamento contou com a ajuda fundamental do site Mochileiros, onde é possível ler vários relatos de pessoas que viveram a mesma aventura.




Bar Positive Vibration em Puno, primeira cidade que conhecemos no Peru, logo que cruzamos a fronteira, chegando da Bolívia. Fica no peatonal principal da cidade, lugar super alto astral. Aí pudemos tomar uma cerveja super gelada ao som de ninguém menos que Gilberto Gil cantando reggae (KAYA N'GAN DAYA).



Já em Cuzco, decidimos nos aventurar pelos botecos da cidade especializados em servir os próprios peruanos e não os turistas. Experimentamos uma costelinha deliciosa de porco frita com batata doce frita e para acompanhar cerveja gelada. Essa aí ao lado é uma meia porção.







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