sexta-feira, 14 de março de 2014

Concha y Toro, um passeio pelo mundo do vinho - dicas do que fazer em Santiago, Chile

Si a Chile vino y no toma vino, a que chuchas vino?

Antiga mansão do Marquês Concha Y Toro
Mesmo que você não seja um fanático por vinhos, vale super a pena conhecer a vinícola Concha y Toro quando você for a Santiago, no Chile. 

Fundada em 1883 por Dom Melchor de Concha y Toro, a vinícola Concha y Toro é ainda hoje uma das mais premiadas do Chile. 

Em 2013, foi eleita a vinícola do ano pela revista Wine & Spirits. Produz vinhos encorpados e de sabor único, alguns dos quais você pode provar durante o tour ou no charmoso wine bar avarandado do lugar. 

Única dentro da área metropolitana de Santiago, é fácil de chegar (apesar de ser um pouquinho longe) e ótima para apreciar alguns dos melhores vinhos chilenos como o Marquês de Casa Concha, Almaviva, Terrunyo e Don Melchor. 

Exemplo da uva carménère, que dá origem aos melhores vinhos chilenos

Eu queria essa coleção lá em casa. Cada um com 225 litros
É possível chegar lá de metrô, ônibus e táxi. Do centro de Santiago até a Viña, demora cerca de 45 minutos. Uma das formas de se chegar é ir de metrô até o ponto final em Puente Alto e, ali numa pracinha logo na saída da estação, pegar um táxi até a Concha y Toro. O percurso não é muito longo, mesmo assim tem uns taxistas que cobram caro quando notam que são turistas. A dica é pedir desconto! Então, pechinche, sugira um valor menor e se o taxista recusar, procure outro. Temos um amigo chileno que nos avisou sobre isso. Pechinchamos e pagamos metade do preço cobrado pelo primeiro que nos ofereceu a corrida.

É possível fazer três tipos de tour: 
Casillero del Diablo (Esconderijo, Adega ou Porão do Diabo)

1. Tour básico – que custa aproximadamente 18 dólares e dura 1 hora –, começa com uma visita à frente da antiga mansão do Marquês Concha Y Toro. Lá, não podemos entrar, pois funciona os escritórios do vinhedo. Depois somos levados para um passeio pelo jardim de variedades - onde é possível conhecer uma amostra das uvas cultivadas pela Concha y Toro para produzir os seus diversos vinhos. Depois, uma visita às adegas subterrâneas e o ápice com um pequeno show pirotécnico da lenda do Casillero del Diablo - adega natural onde amadurecem os melhores vinhos como o Dom Melchor. Nesse tour, é possível degustar dois vinhos, um sauvignon blanc e um tinto. No final, ganha-se a taça de brinde.


Preciosos barris de carvalho com o vinho Dom Melchor

2. Tour Marquês de Casa Concha – custa cerca de 38 dólares e dura 1h30 aproximadamente. Nesse você conhece a vinha e degusta três vinhos durante o passeio. Ao final, todos são levados para uma sala reservada onde um enólogo da Concha y Toro vai apresentar 4 tipos de vinho da seleção especial do Marquês de Casa y Concha acompanhados por queijos e pães – que combinam com cada um dos tipos de vinho. 


Degustação no final do tour Marquês de Casa Concha

Na degustação, um sommelier apresenta todas as nuances dos vinhos e como as combinações ficam perfeitas com cada tipo de queijo e pão. Confesso que durante essa fantástica experiência sensorial, eu comecei a sentir uma deliciosa sensação de estar ficando embriagado. Ah, no final desse tour você também pode levar pra casa uma taça personalizada da Concha y Toro e a tábua onde foram servidos os queijos e pães.

Outra dica legal é que quem faz esse tour tem um desconto de 15% nos vinhos e produtos da marca Marquês de Casa Concha na lojinha da vinícola. Nossa dica: Faça o Tour Marquês de Casa Concha!

3. O tour "Experiencia Dom Melchor" não está disponível no momento. No site, é possível saber mais sobre ele: http://www.conchaytoro.com/web/tour/tipos-de-tour/?lang=es

Barril "sangrando"
"Pequena" garrafa de Dom Melchor, o melhor
Bom, como era de se esperar, acabou a degustação e o tour, mas continuamos nosso passeio na lojinha da Concha y Toro. Cada vinho sensacional... uns para serem comprados, outros para admirar apenas os rótulos – isso por que o Alma Viva, por exemplo, custa uns R$ 600 reais a garrafa. Uma taça (servida “mais ou menos”) não sai por menos de R$ 60 no wine bar que fica ao lado da lojinha.

Na volta, mais uma vez pegamos um táxi até a estação de Puente Alto e de lá fomos de metrô ao centro de Santiago. Contando a viagem de ida e volta e o tour com a degustação, creio que o passeio durou umas 5h30.

Vale a pena!


Entrando no Esconderijo do Diabo

Dicas: 


  • Site da Concha y Toro onde você pode fazer a reserva: http://www.conchaytoro.com/web/?lang=es
  • Metrô de Santiago: te leva pra todo lado, muito prático e seguro. É bom comprar o cartão, pois nele você insere uma quantia em dinheiro que serve para usar tanto no metrô quanto no ônibus. 
  • Veja o mapa para saber como chegar:



Leia mais dicas sobre o Chile e sobre Santiago, aqui

Curiosidade: Você sabia que o Chile é o único país do mundo que possui a casta da uva Carménère original? Durante o passeio pela Concha y Toro, a guia contou essa história sensacional: durante muitos anos, o Chile produziu vinho da uva Carménère pensando que era Merlot. Foi um francês que descobriu o erro. 

Na década de 1860 as videiras européias da variedade Carménère foram dizimadas pela filoxera, um insecto que suga a seiva das plantas. A uva Carménère foi julgada extinta, mas eis que o Chi Chi Chi le le le tinha a tal uva original e intocada! A redescoberta aconteceu em 1994 no Chile por um ampelógrafo (estudioso das vinhas) francês, Jean-Michel Boursiquot, que notou que algumas cepas de Merlot demoravam a maturar. A nossa guia no tour da Concha y Toro disse que ele suspeitou que a uva que os chilenos cultivavam como merlot não era merlot porque o vinho era muito ruim! 

O tal estudioso francês fez alguns testes de laboratório e descobriu que na verdade o Chile possuía o mais puro exemplar da antiga variedade de Bordeaux Carménère, cultivada sem querer com um monte de pés de Merlot.
A uva Carménère se adaptou tão bem aos vales vinícolas chilenos - por causa do clima agradável e dos solos férteis - que hoje é considerada uma das uvas mais importantes do Chile por sua qualidade e sabor excepcional. 

É no Vale do Colchagua onde está seu maior cultivo, que se mantém restrito ao Chile devido à fragilidade da cepa, que sobrevive graças ao bom clima e solo, mas sobretudo, ao isolamento físico e geográfico criado por barreiras naturais como o Oceano Pacífico, o Deserto do Atacama, a Cordilheira dos Andes e as águas frias provenientes do Polo Sul, que protegem essa região de pragas. Por esse motivo, os melhores vinhos chilenos são muitas vezes produzidos com a uva Carménère. 

Com informações da Wikipédia. 

*Todas as fotos são de autoria de Neblina Orrico/Ruthiere Carrijo. Peça autorização, antes de usar. Obrigado.

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