segunda-feira, 13 de junho de 2016

Chapada dos Veadeiros: a simplicidade aliada à grandeza da natureza

Chapadões visto do Parque Nacional


Chapadões vistos do Vale da Lua
Esse post começou a ser escrito à moda antiga. No papel. Por que a Chapada dos Veadeiros é um lugar à moda antiga. Simples, pacata, mas ao mesmo tempo grandiosa. 

Terra de bandeirantes e tropeiros, por volta de 1750 foi demarcada ali, no meio da natureza exuberante, onde fica hoje o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma enorme fazenda, que deu início ao povoamento oficial da região. Por volta de 1912, a corrida do garimpo atrás de ouro e de cristais de rocha culminou na fundação de várias cidades na região, entre elas a Vila de São Jorge.

A Chapada já atraiu fazendeiros, garimpeiros e agora tornou-se recanto de aventureiros e exotéricos. A porta de entrada é a cidade de Alto Paraíso, que recebe os visitantes com um portal muito louco em formato de disco voador pousando no coração do Goiás. 
Chuveirinho, flor do cerrado

Além de Alto Paraiso e São Jorge, outras sete cidades estão na área que compõe a Chapada dos Veadeiros: Cavalcante, Campos Belos, Colinas do Sul, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma, São João D’Aliança e Teresina.


Trilha que fizemos em 2007
É um lugar que emana paz, aquela boa energia que reabastece a gente. Mais de 2 mil cachoeiras já foram catalogadas na região que também é conhecida como o Berço das Águas, por causa das inúmeras nascentes e rios que cortam os chapadões e abastecem a região e seus arredores.

A região fica situada no paralelo 14, o mesmo que corta Macchu Picchu, a lendária e sagrada cidade dos Incas. Além disso, uma imensa placa de cristal de quartzo tornaria a região super brilhante, quando vista do espaço. Um aeroporto para naves espaciais, natural. Tudo isso atraiu muitos exotéricos e turistas que além de explorar as belezas naturais, também podem aproveitar o clima bicho grilo do lugar para meditar, tomar umas, fazer trilhas e também descansar.

Hoje falaremos mais especificamente da Vila de São Jorge e das atrações que a rodeiam. A primeira vez que estivemos em São Jorge, tínhamos uns 20 anos de idade. Durante os anos, estivemos várias outras vezes e agora em abril de 2016 (quase 17 anos depois), pudemos verificar que o lugar continua tranquilo e charmoso como sempre.

Família completa: Neblina, Duna e Márcio
Dois convidados especiais participaram da excursão da nossa banda: a Duna linda, nossa filha de 3 anos; e nosso amigo chileno, Álvaro. Com essas participações pra lá de especiais, aproveitamos de um jeito diferente o nosso fim de semana prolongado. Saimos de Brasília numa sexta-feira à tarde e voltamos na segunda de manhã.

1º dia (sexta-feira): no caminho pra Alto Paraíso, aproveitamos para experimentar a famosa coxinha goiana de beira de estrada, na Lanchonete Portugal. O lugar é bem tradicional, já está aberto há mais de 30 anos. Esquema de beira de estrada mesmo: lugar simples, com deliciosos salgados como coxinha, biscoito de polvilho frito, pão de queijo e bolos para matar a fome de quem pega a estrada rumo à Chapada. Ah, e o café é grátis!

Chegamos em Alto Paraíso ainda de dia e aproveitamos para abastecer. Essa dica é importante, pois em São Jorge não tem posto de gasolina. Depois, pegamos a estrada até São Jorge. Hoje em dia, parece um tapete. Tudo asfaltado. Antes, era uma estradinha de terra, daquelas cheias de "costela de vaca". Mas, não se aflija. A estrada asfaltada só vai até São Jorge mesmo. Se você optar por conhecer as cachoeiras que ficam depois da vila, poderá se aventurar no treme treme das estradas de chão poeirentas.

Quando chegamos a São Jorge, já era noite. Noite tranquila, estrelada. Fizemos o check in na pousada Trilha Violeta e saímos para dar uma volta. Estava bem vazia a vila, mas os restaurantes todos abertos. Tem bastante opção, o que é bom pra quem gosta de experimentar novas delícias. 

De repente, Álvaro chama a atenção para uns clarões no céu, o que parecia ser uma chuva elétrica, daquelas de raios e trovões. Na direção da entrada do Parque, atrás de alguns chapadões, vários relâmpagos rasgavam o céu, mostrando que a noite ia ser de chuva. E foi o que aconteceu. Caiu uma tempestade de madrugada, um aguaceiro daqueles.

2º dia (sábado): O dia amanheceu cheio de nuvens, o que nos estristeceu um pouco, pois a maioria dos passeios não pode ser feita em tempo de chuva. Fomos tomar café da manhã e logo depois pudemos ver que o céu azul se abria, empurrando as nuvens para longe. Para aproveitar um pouquinho do sol da manhã, fomos caminhar um pouco.

Acabamos conhecendo o Danilo e a Bruna, um casal de paulistas que está numa viagem/aventura de carro por toda a América do Sul. Conversamos um montão e pudemos aprender um bocado. O site deles, para quem quiser acompanhar a viagem, é: http://www.oamormoraaqui.com.br/

Com o sol já reinando no céu, decidimos ir ao Vale da Lua.

Vale da Lua



Formações nas rochas 
Para aproveitar bem o sábado, decidimos ir ao Vale da Lua. Lá, é possível apreciar a beleza das formações que as águas do Rio São Miguel promoveram nas rochas. Os guias especializados dizem que as esculturas estão sendo moldadas há 600 milhões de anos, e não é difícil acreditar nessa informação quando você entra no vale e dá de cara com pedras esculpidas como se fossem crateras lunares. Completam o cenário diversas piscinas naturais entre grutas e fendas.

Para chegar nessa atração, você tem de pegar a estrada de volta para Alto Paraíso e andar uns 4 km. O Vale da Lua fica dentro de uma propriedade privada, mas é aberto a visitação. A entrada custa R$ 15 por pessoa. Os 800 metros que separam a entrada da propriedade até o rio são bem sinalizados.

O Vale da Lua foi batizado assim por conta da tonalidade das pedras e das formas irregulares que lembram o solo lunar. As diversas fendas nas pedras formam piscinas de água corrente e também pequenas cachoeiras. É bom ficar atento, pois o Vale da Lua também tem armadilhas para os desavisados, uma vez que algumas corredeiras formam verdadeiros liquidificadores. Por isso, vale a pena seguir as indicações de só tomar banho nos locais demarcados. E nunca, nunca entrar na água se estiver chovendo. Risco altíssimo de tromba d'água. Aliás, em época de chuva, várias atrações ficam fechadas na Chapada.

Piscina natural no Vale da Lua
A primeira vez que estivemos em São Jorge, não tínhamos carro. Então, fizemos nossos passeios todos a pé mesmo. Saímos da vila e andamos até o Vale da Lua numa trilha pouco demarcada, e só não nos perdemos por que pedimos ajuda para um senhor que apareceu na nossa frente. A verdade é que dá sim pra ir a pé até o Vale da Lua, se você quiser.

Águas termais
Depois do banho gelado no Vale da Lua, vale a pena ir conhecer o Éden, onde águas termais formam piscinas de água "quente". Na verdade, a água é morna. Não é queeeente como o nome "termal" sugere. Mas, vale. É bom. Principalmente no fim da tarde. Lá também tem uma sauna grega bem gostosa, onde a coisa esquenta mesmo.

Pra chegar lá, você terá de se aventurar pela estrada de terra que começa na saída de São Jorge. São mais ou menos uns 15 quilômetros de estrada de chão, cheia de costela de vaca, demora um pouco. Quando você acha que já perdeu a entrada pra fazenda de águas termais, aparece um vendedor de bebidas na estrada e te orienta, dizendo que falta pouco. Foi o que aconteceu com a gente. Se o vendedor não estiver lá, marque a quilometragem no seu carro e fique prestando atenção nas plaquinhas que aparecerão à sua esquerda.

3º dia (domingo): 
Encontro das Águas
Muito sol e céu azul. Nesse dia, nos separamos. Álvaro queria fazer a trilha do Parque e como estávamos com a Duna, não dava para irmos, pois a caminhada é bem puxada. Deixamos ele na entrada do Parque e fomos conhecer o Encontro das Águas, dos Rios São Miguel e Tocantizinho.  O encontro dos dois rios é um espetáculo por si só. Vale muito a pena. Além disso, várias praias de areia fina e clara se formam, o que facilita muito se você quiser dar aquele mergulho. Para chegar no local, é preciso seguir pela estrada de terra em direção à Colinas do Sul, prestando atenção nas placas que dão acesso à Fazenda Novo Horizonte, na estrada entre Colinas e São Jorge.
Encontro das Águas

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
Rappel na cachoeira
A entrada do Parque fica em São Jorge, por isso tanta gente opta por se hospedar lá pra ficar mais perto das atrações. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi criado em 1961 e protege uma área de 65 mil hectares do Cerrado de altitude, segundo o ICM-Bio. 

O passeio é imperdível. São duas trilhas que duram mais ou menos um dia cada, para ir e voltar. Pelo caminho, é possível encontrar diversas formações vegetais; centenas de nascentes e cursos d água; rochas com mais de um bilhão de anos, além de paisagens de rara beleza, como os canyons. 

Antes, os passeios só podiam ser feitos com os guias. Agora, o ICM-Bio fez demarcações no caminho e a maioria das pessoas escolhe ir por conta própria. 

Infelizmente, quem vai sem guia perde um pouco da história que eles resgatam sobre o local onde hoje é o Parque. Muita coisa da história de Goiás está preservada lá dentro, como por exemplo as áreas de antigos garimpos de cristal, e a rica flora que permeia toda a história local. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é tão rico em história e vegetação que foi declarado Patrimônio Mundial Natural em 2001 pela UNESCO. 

A caminhada e banhos de cachoeira são as principais atrações. 

4º dia (segunda-feira): Dia de voltar para Brasília. Acordamos, tomamos aquele café da manhã reforçado e viajamos de volta ao dia-a-dia, depois de mais uma linda excursão com a nossa banda. A despedida não é triste, pois quem conhece a Chapada dos Veadeiros sabe que vai voltar lá. Muitas vezes ainda.

Nossas dicas:
- Essa dica vale para todas as trilhas: além da roupa de banho, é importante levar bastante água, um lanche e protetor solar;
- Para fazer as trilhas, é importante estar com um calçado antiderrapante (tipo um tênis), pois a maioria dos passeios conta com trechos escorregadios;
- Abasteça o carro em Alto Paraíso, não há posto de combustíveis em São Jorge.
- Leve dinheiro. A maioria dos restaurantes aceita cartão de crédito/débito, mas ainda existem locais que não aceitam. Na nossa pousada, por exemplo, quando fomos pagar a máquina do cartão estava fora do ar. Tivemos de fazer uma transferência depois.







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