quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Inhotim: a experiência - museu, jardim botânico, arte contemporânea e contemplação - como conhecer e aproveitar com criança pequena

Interagindo com a obra de Jarbas Lopes - Troca-Troca ou “Os fuscas”
O Instituto Inhotim é um destino memorável. É impressionante a possibilidade de conhecer tantos artistas nesse museu, jardim botânico, indescritível lugar! Muitos amigos já tinham feito a propaganda: quando fôssemos a Minas Gerais, tínhamos de visitar Inhotim. E assim foi. 

Depois de conhecer Belo Horizonte, decidimos reservar dois dias inteiros para poder apreciar com calma toda a beleza das obras/instalações/paisagens e jardins que compõem o curioso museu a céu aberto mais legal que conhecemos até hoje.




Paisagismo by Burle Marx

Quando estávamos pesquisando nosso roteiro, encontramos várias dicas, mas a melhor delas foi a do expert em viagens, Ricardo Freire, do Viaje na Viagem: "a melhor estratégia é ir com muito tempo e pouco roteiro" (leia aqui).

Assim fizemos. É claro que algumas obras fazíamos questão de conhecer. E anotamos. Também nos surpreendemos com várias outras. Por isso, a nossa dica pra você é: vá com tempo e desfrute, se possível, com calma. Inhotim é surpreendentemente lindo, inspirador, tudibão!

Nossa dica: se você for com criança pequena, vale muito a pena comprar o tíquete do carrinho de golfe. São vários carrinhos que te levam para todos os lados, fazendo com que você não tenha que encarar as inúmeras subidas e descidas nas ladeiras de Inhotim. É bom, é confortável e é fundamental se você estiver com as crianças que ainda não encaram longos trechos de caminhada.


Rodoviária de Brumadinho, de John Ahearn e Rigoberto Torres


A aventura de conhecer Inhotim na quarta-feira, o dia da entrada gratuita


Jogo de Varetas, a Coroa ou Beam Drop Inhotim, de Chris Burden  
Às quartas-feiras, Inhotim abre suas portas gratuitamente ao público em geral. "Espertamente", decidimos chegar nesse dia, e apesar de muito cheio/muito, muito cheio de gente, foi acima das nossas expectativas! 

Escolhemos percorrer primeiro o circuito laranja, onde é possível encontrar obras espetaculares como a Cosmococa, A piscina,
A Origem da Obra de Arte e o jogo de Varetas (ou Bem Drop Inhotim).
Sorvete! hummm!


Duna se empolgou com os Fuscas, com a possibilidade de fazer vários sons metálicos no Beam Drop Inhotim e com o delicioso sorvete de frutas vermelhas que tomamos antes de visitar e interagir com a belíssima obra de Marilà Dardot: A Origem da Obra de Arte.


A Origem da Obra de Arte: 150 vasos de cerâmica em forma de letras, terra, 12 tipos de sementes, instrumentos de jardinagem e texto em vinil. Tudo pronto pra você!

E foi andando pra lá e pra cá que a gente foi encontrando coisas lindas pelo caminho, como os maravilhosos jardins, os lindos e convidativos bancos de madeira e obras como o Caleidoscópio:



Na quarta de visitação gratuita, a dica é ir com paciência. Tinha fila pra tudo: pra entrar, pra ir no banheiro e também pra sair do Inhotim na hora do encerramento das atividades, 16h30.


Decidindo para onde ir




Quinta-feira de gratas surpresas

Visitar Inhotim é um trem muito bom. Por isso, acho que devemos agradecer. Sempre. Pelas oportunidades nas viagens. Pelas viagens. Pela ideia do mineiro Bernardo de Mello Paz de transformar uma fazenda nesse museu nada comum, super original e lindo!

Então, na quinta-feira a gente continuou com as descobertas. E foi uma atrás da outra. Escolhemos as rotas rosa e amarela, na esperança de ver o máximo possível. Também nesse dia compramos o tíquete para usar os carrinhos e assim evitar a "fadiga".

Decidimos começar pelas obras mais perto da recepção que na quarta havíamos pulado. Rodoviária de Brumadinho, uns fios muito loucos suspensos do chão ao teto - obra "Tteia", de Lygia Pape, uma tempestade de fios dourados que brilham na escuridão – e uma das obras que mais gostamos: O coro de Janet Cardiff. A obra se chama Forty Part Motet e é composta de um monte de caixas de som, 40 ao todo, onde um coro interpreta uma composição feita em 1575. Você pode se aproximar de cada caixa, e escutar aquela voz sobreposta sobre as outras ou ficar no meio da sala e escutar todas de uma só vez.

É um negócio muito louco. Olha a descrição do próprio Inhotim:

"Thomas Tallis, compositor inglês do século 16, compôs Spem in Alium nunquam habui para a comemoração do aniversário da Rainha Elizabeth 1ª, em 1575. O moteto (um tipo de composição polifônica medieval) para oito coros de cinco vozes trata de humildade e transcendência, dois temas importantes para o compositor católico numa época em que a fé católica era reprimida pelo Estado soberano da Inglaterra. A peça é conhecida como uma das mais complexas obras polifônicas para canto coral jamais compostas. Utilizando microfones individuais, Janet Cardiff gravou cada integrante do coral da Catedral de Salisbury,  trabalhando com vozes masculinas – baixo, barítono e tenor – assim como com uma soprano infantil. Na instalação, a artista usa um alto-falante para cada voz, o que permite ao espectador ouvir as diferentes vozes e perceber as diferentes combinações e harmonias à medida que percorre a instalação. Janet Cardiff é uma das artistas mais prolíficas de uma arte que se vale da tecnologia de ponta. Seu trabalho emprega diversos meios expressivos, abrangendo vídeo, instalação e gravação de som".

Depois dessa experiência mágica, a gente foi procurar uma obra que eu achava que a Duna ia gostar de ver. Na Galeria Cildo Meirelles, os visitantes pisam em um chão cheio de cacos de vidro contornando diversos obstáculos, todos transparentes. Até os peixes de um aquário eram transparentes. O nome da exposição é "Através".

Outra experiência que foi fantástica pra toda a família foi a Galeria Cosmococa. Você entra descalço e dentro de várias salas experimenta sensações que a cocaína causa no corpo humano. Euforia, Cansaço, Frio intenso. São quatro salas: numa delas, os visitantes brincam com balões. Em outra, pulam em colchões que funcionam como um pula pula gigante. Em outra, balançam em redes coloridas. E, em outra, podem até entrar numa piscina. Tudo ao som do bom e velho rock and roll e imagens sendo projetadas nas paredes.

Vimos também uma das primeiras obras a entrar para o acervo, a instalação "True Rouge", de Tunga, artista morto neste ano. Tem que ir lá pra ver. E crer. E entender. Ou não.



O som da Terra
No fim da rota rosa, no alto de um monte, um prédio redondo, de vidro e aço aparece. E dentro dele uma promessa: você vai poder ouvir o som da terra. Isso mesmo: Doug Aitken fez um furo de 200  metros de profundidade no solo, instalou uma série de microfones que captam em tempo real o som da Terra. O som é transmitido também em tempo rela dentro do interior desse pavilhão de vidro, vazio e circular, o que é muito, muito doido. 


Tamboril centenário
Não tem nem como descrever aqui a linda experiência que tivemos. Só dá pra dizer uma coisa: Você tem que conhecer Inhotim. É muito bão!


DICAS


  • Carrinho de golfe: se você for com criança pequena, vale muito a pena comprar o tíquete do carrinho de golfe. São vários carrinhos que te levam para todos os lados, fazendo com que você não tenha que encarar as inúmeras subidas e descidas nas ladeiras de Inhotim. É bom, é confortável e é fundamental se você estiver com as crianças que ainda não encaram longos trechos de caminhada.
  • Hospedagem em Brumadinho: nós ficamos na pousada dona Carmita. É boazinha, nada espetacular. Mas, atendeu nossas necessidades e o melhor: fica super perto de Inhotim.
  • Site do Inhotim: http://www.inhotim.org.br/

Mais beleza nos jardins




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